Friendly Rivalry
Friendly Rivalry é um thriller de mistério adolescente, que desafia as expectativas ao combinar elementos de diferentes gêneros, dando destaque para uma narrativa afiada e uma abordagem ousada sobre as relações femininas. Principalmente, porque fica subtendido, através de olhares e gestos, a tensão homoafetiva entre as protagonistas. Ou seja, um divisor de águas para a produção televisiva coreana. Imagine, pudemos assistir a um drama que faz alusão a uma história romântica entre duas mulheres e não foi uma representação retratada pela indústria cinematográfica, e muito menos de quadrinhos, foi ao ar na TV, o que é por si só, um avanço cultural significativo para um país frequentemente rotulado como conservador.
Aliás, parte do que torna o drama envolvente está no fato dos personagens não serem colocados em caixinhas que os definam a partir das noções de bem e do mal. Todos os personagens tem segundas intenções ou objetivos obscuros, muitas vezes escancarados por rivais ou amigos. Ninguém ali é de confiança, todos guardam segredos e manipulam para alcançar o tão prestigiado sucesso, vingança ou melhor dizendo, a justiça.
Particularmente, gostei de como a direção deu intencional foco para as cenas que combinam elementos visuais distintos, como a competição amigável e aparentemente saudável, e o desconforto psicológico que causa tensão no telespectador diante de uma atmosfera mais sombria e perigosa.
O que de certa forma permite que a trama explore temas mais complexos, como a ambiguidade moral dos personagens, a pressão acadêmica e social pela busca de sucesso, a linha tênue entre competição saudável e obsessão destrutiva, e o tráfego, a venda ilícita e a dopagem de medicamentos.
Agora, algo que me incomodou e até deixou a trama um pouco maçante, a partir do episódio 10, foi como desenvolveram o suspense em torno da trama entrelaçada das protagonistas. Por exemplo, nas cenas em que as personagens encontram algumas pistas cruciais para entender o desenrolar do plot central da história, simplesmente surgia a ideia do nada de vasculhar os lugares mais incomuns, e pasmem, era onde estava o que tanto procuravam, e tudo isso, em menos de 3 segundos de investigação. Realmente, adolescentes são melhores detetives que muitos que vemos por aí!
Outra coisa, fazer cirurgias no hospital do pai da Jei é muito fácil, até uma estudante colegial pode entrar numa sala de cirurgia e abrir um corpo vivo. E mais, fiquei completamente confusa nos três últimos episódios, e não via a hora do drama terminar, porque já estava cansada do lenga lenga das protagonistas para desmarcar o Tae Jun, pra no fim, ele ainda ficar solto e rondando a casa da Seul Gi. E pasmem, mais uma vez, a garota não teve medo, e achou super de boa um assassino ficar stalkeando a família dela.
Tirando esses pormenores, acho que não tem como não se envolver com essa produção, pois esse drama pode ser o começo de uma promissora abertura, para quem sabe, num futuro próximo, surgir outras produções de dramas GLs coreanos.

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