Pluribus



Pluribus é uma série de ficção científica distópica com uma premissa ambiciosa, intelectualmente atraente e que inova e preza por um trabalho reflexivo que dá destaque para muitos dos dilemas morais e existenciais da humanidade, como a tensão entre a individualidade e a conformidade, e a busca desenfreada pela felicidade que força o indivíduo a se adaptar a uma realidade cruel, abandonando o direito ao questionamento e ao livre-arbítrio. 

E é justamente nesse desconforto que a série constrói a sua crítica: o vírus da felicidade que transforma as pessoas em versões exageradamentes pacíficas, funciona como uma metáfora para a positividade tóxica, que impõe muitas vezes que todos devem estar bem o tempo todo, onde a tristeza vira falha e a inquietação defeito, portanto, a melancolia se torna uma patologia que deve ser tratada. E partindo dessa reflexão, pode-se dizer que as camadas psicológicas que vão se formando ao longo da série tocam em assuntos profundamente atuais e inquietantes.

Vale destacar, que a "mente coletiva" tenta forçar os "imunes" a se juntarem a eles através de um comportamento passivo-agressivo característico de indivíduos que tendem a demonstrar agressividade usando o tratamento de silêncio e comportamentos sutis para manipular e controlar o comportamento de outra pessoas. 

Além disso, a trama provoca debates que examinam as consequências da perda do pensamento crítico e se vale a pena anular a própria personalidade em detrimento da paz mundial. Será que essa paz realmente existe? Será que a tristeza é realmente um erro? 

E como vemos na história, essa nova sociedade um tanto controversa e estranha não parece ser tão perfeita assim. Eles não conseguem lidar com conflitos, deixam a decisão sempre nas mãos dos "imunes" e não se responsabilizam por nada. Ou seja, a "mente coletiva" depende da bolha em que vivem, não são autônomos e muito menos sabem lidar com a solidão. 

No fim nos perguntamos: será que podemos ser realmente felizes na ilusão, sem liberdade e individualidade? E será que existe um mundo sem conflitos até mesmo em uma sociedade coletiva? 

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