Oooku


Oooku é um drama de ficção histórica ambientado no Japão feudal. É um anime que aborda a inversão estrutural de papéis de gênero, explorando as intrigas políticas e sociais do harém masculino da Shogun. A saber é uma obra madura e muitas vezes triste, que retrata com frieza o isolamento dos personagens que vivem no interior do castelo Oooku, onde lutam constantemente para manter o prestígio da dinastia Tokugawa e preservar a estrutura do shogunato. 

Apesar de figuras femininas assumirem cargos políticos, elas ainda precisam se esconder atrás da fachada de personas masculinas, afinal, todos ainda acreditam que é um homem que está no poder, mesmo depois de grande parte da população masculina ser dizimada por uma peste desconhecida. E é assim que a história do anime se desenrola ao longo de 10 episódios. Em outras palavras, as autoridades políticas tentam manipular a percepção pública, baseada apenas na tradição e não na competência real da Shogun. 

O grande trunfo da narrativa é fazer um jogo de inversão de papéis onde os homens passam a ser vistos como objetos de consumo e prazer, enquanto as mulheres assumem uma posição social de prestígio e poder. Mas será que os privilégios e as desigualdades de gênero desaparecem de verdade? É esse o ponto central da trama que faz uma crítica certeira ao sistema patriarcal de uma sociedade que ainda tenta manter as estruturas tradicionais de poder. 

Em resumo, as mulheres passam a reproduzir a mesma desigualdade de gênero, usando muitas vezes a coerção sexual como ferramenta de controle e desumanização do homem, além de sugerir que mesmo com a troca de papéis o sistema de desigualdade patriarcal ainda permanece difícil de desmantelar, pois a sociedade ainda continua a considerar os homens naturalmente superiores.

À vista disso, as mulheres começam a trabalhar mais e assumirem maiores responsabilidades, enquanto a maioria dos homens se envaidece e tiram proveito da atenção que recebem para viverem no luxo e satisfazerem seus desejos carnais. É interessante notar que o último episódio faz questão de frisar isso, quando uma das personagens femininas que fazem o trabalho braçal de cultivo de terras, afirma que o status das mulheres podem até ter mudado, mas a sociedade ainda continua a dar aos homens o privilégio de nascença. 

"Não é que se inverteram as posições de homem e mulher. Para ser mais precioso, os homens pararam de fazer tudo, exceto gerar filhos. Todo o trabalho do mundo ficava a cargo das mulheres, inclusive o de criar os filhos e cuidar da casa."

Enfim, a narrativa faz uma análise crítica da estrutura hierárquica e opressiva do patriarcado, mostrando que ela é uma construção social de poder, que não é natural e muito menos inerente à espécie humana. Portanto mesmo que as mulheres ascendam ao poder ainda continuarão a reproduzir a mesma opressão e sofrerem com o machismo, se o ciclo de violência e desigualdade não for cortado pela raiz.

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